Humanização no atendimento à saúde da mulher: por que ouvir pacientes melhora resultados de tratamento

O atendimento em saúde da mulher envolve não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade e qualidade na comunicação entre profissionais de saúde e pacientes. Especialistas apontam que falhas na escuta clínica e na comunicação médica podem impactar diretamente a qualidade do cuidado, especialmente em áreas como ginecologia, obstetrícia e saúde reprodutiva.
Questões como dor crônica, queixas ginecológicas, saúde sexual e decisões relacionadas ao planejamento familiar e gestacional muitas vezes exigem consultas em que a escuta atenta e o diálogo aberto são fundamentais. Negligenciar essas dimensões pode fazer a paciente sentir que suas queixas não são valorizadas ou plenamente compreendidas.
Segundo o psicólogo Luciano, Edgley, especialista em Comunicação Humanizada na área médica, humanizar a relação médico-paciente é um fator central para melhorar a experiência das mulheres nos serviços de saúde. “Realizar uma consulta com escuta atenta, explicação clara de diagnósticos e o respeito às decisões da paciente tende a fortalecer o vínculo terapêutico e aumentar a adesão ao tratamento”, argumentou o psicólogo Luciano Edgley.
O debate sobre humanização no atendimento à saúde da mulher tem sido pautado em diferentes contextos, incluindo maternidades, consultórios e hospitais. Em muitos casos, situações de sofrimento relatadas por pacientes estão relacionadas não apenas a procedimentos médicos, mas também à forma como informações e decisões são comunicadas.
A jornalista Juliana Costa descobriu há dois anos um nódulo na mama esquerda. A experiência com o primeiro mastologista que a atendeu foi traumática. “Eu me senti como se fosse um número quando ele disse para eu ficar tranquila que qualquer coisa era só tirar um pedaço da mama. Afetou meu psicológico e eu tive que ir para terapia. Fiquei muito assustada e procurei outro profissional. Felizmente o tratamento foi outro e eu me senti acolhida.”, contou Juliana.
Pesquisas na área da comunicação médica humanizada, apontam que a formação dos profissionais de saúde ainda dedica pouco espaço ao desenvolvimento de habilidades comunicacionais. “A medicina é uma ciência baseada em evidências e atravessada pela tecnologia, mas o cuidado em saúde depende essencialmente de relações humanas. Saber escutar, explicar e acolher é decisivo para a qualidade do atendimento”, afirmou Luciano Edgley.
Cursos e treinamentos voltados à comunicação e humanização da prática médica têm se expandido nos últimos anos como forma de apoiar profissionais de saúde no desenvolvimento dessas competências.
No contexto do mês dedicado à reflexão sobre os direitos e a saúde das mulheres, especialistas ressaltam que melhorar a comunicação no atendimento é um passo importante para garantir um cuidado mais respeitoso, seguro e centrado na paciente.
Fonte para entrevistas
Luciano Edgley
Psicólogo – especialista em comunicação humanizada na área médica
Contato da assessoria: 83 9 8880-3005



