China, Rússia e França frustram plano de ataque de países árabes ao Irã, apoiado pelos EUA

A China, a Rússia e a França deverão se opor a um plano apresentado pelo Bahrein, no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), para proteger a navegação comercial no estreito de Ormuz e, assim, segurar a disparada dos preços do petróleo no mundo. Os Estados Unidos apoiam o plano dos países árabes.
Diplomatas que atuam na organização já disseram que os chineses, que detêm poder de veto, já deixaram clara sua oposição a qualquer autorização para o uso da força.
Os preços do petróleo dispararam desde que os EUA e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, dando início a um conflito que já dura mais de um mês e praticamente fechou o estreito ao tráfego marítimo.
Diplomatas disseram que o Bahrein, que atualmente preside o Conselho de Segurança composto por 15 membros, finalizou um projeto de resolução, que autorizaria “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial.
“Esperamos uma posição unificada deste estimado Conselho durante a votação do projeto de resolução que ocorrerá amanhã, se Deus quiser”, disse o ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, ao Conselho.
O Bahrein, apoiado em seus esforços por outros estados árabes do Golfo e por Washington, havia anteriormente retirado uma referência explícita à aplicação vinculativa da medida, numa tentativa de superar as objeções de outras nações, particularmente da Rússia e da China.
A minuta vista pela Reuters autoriza as medidas “por um período de pelo menos seis meses… e até que o Conselho decida o contrário”.
No entanto, em discurso ao Conselho de Segurança na manhã de quinta-feira, o enviado da China à ONU, Fu Cong, opôs-se à autorização do uso da força.
Ele afirmou que isso “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força, o que inevitavelmente levaria a uma escalada ainda maior da situação e a sérias consequências”.
Uma quarta minuta da resolução havia sido colocada sob um procedimento de silêncio para aprovação até o meio-dia (13h no horário de Brasília) de quinta-feira, mas uma fonte diplomática ocidental afirmou que o silêncio foi quebrado pela China, Rússia e França.
Diplomatas disseram que um texto foi posteriormente finalizado, ou “aprovado”, o que significa que uma votação pode ocorrer. Disseram que isso ocorreria na manhã de sexta-feira, dia em que uma reunião do Conselho de Segurança estava agendada, apesar de ser recesso da ONU.
Uma resolução do Conselho de Segurança exige pelo menos nove votos a favor e nenhum veto de seus cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.
Al Zayani afirmou que a “tentativa ilegal e injustificada do Irã de controlar a navegação internacional no estreito de Ormuz” ameaça os interesses do mundo e “exige uma resposta decisiva”.
O secretário-geral da Liga Árabe, composta por 22 membros, Ahmed Aboul Gheit, disse ao Conselho de Segurança que apoiava os esforços do Bahrein para obter uma resolução.
Na quinta-feira, o Reino Unido sediou uma reunião com mais de 40 países para discutir os esforços para reabrir e garantir a passagem segura pelo estreito de Ormuz e também expressou apoio aos esforços do Bahrein para obter uma resolução sobre o assunto.
Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu continuar os ataques, mas não apresentou um plano para reabrir o estreito, o que fez com que os preços do petróleo subissem ainda mais.
Isso ocorreu porque as declarações do presidente americano aumentaram as preocupações de que os EUA possam não desempenhar um papel importante na garantia da passagem segura dos navios por essa via navegável crucial.
Foto: Benoit Tessier/Reuters
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