José Pinheiro: vitrine da zona leste, celeiro das artes, berço político

A zona leste de Campina Grande sempre foi o termômetro local da cidade, uma espécie de vitrine comunitária e cartão de visita de tudo que acontece na cidade.
O setor reúne os bairros José Pinheiro, Nova Brasília, Santo Antonio, Belo Monte, (antiga Cachoeira, que foi relocada e transformada em Glória I e II e Monte Castelo.
A região é um verdadeiro celeiro cultural que abriga (e já abrigou) escolas de samba (hoje só), já teve cinema, (tem o mais antigo teatro da cidade: Raul Priston, ao lado da escola municipal Dr. Chateaubriand), museu, central de rádio (a primeira da cidade), feira livre, festas, quermesses, estádio de futebol, boates, clubes, casa de show e central de velórios, entre outros. Alguns desses itens existem no local desde a década de 70.
Um dos equipamentos pioneiro, mais importante e que faz parte da história da zona leste e de Campina Grande é conhecida difusora de Gaúcho, uma espécie de rádio comunitária com serviço de utilidade pública e com enorme audiência para a época, mesmo porque não havia outro meio de comunicação na região. A difusora tocava música, mandava recados de amor, divulgava acontecimentos do setor e da cidade e ainda levava radionovelas ao ar.
O Cine Arte, o cinema tradicional dos habitantes da área e de moradores de outras regiões na década de 70 , funcionava na rua Campos Sales, bem em frente ao ´abrigo´ – (que existe até hoje). O público era fiel, variado e assíduo.
Na mesma região havia o Museu Padre Cícero, que funcionou até a década de 90. O acervo não era tão grande, mas para a época conseguir atender a necessidade de conhecimento cultural e histórico dos visitantes, que eram muitos. Além disso, o local era voltado mais para receber as pessoas que buscavam a espiritualidade e queriam um cantinho individual para orar.
No campo do esporte o Estádio Municipal Plínio Lemos mobilizava a zona leste até nos treinos e isso atraia sempre um grande público e por conseguinte alguns comerciantes de várias especiarias, entres elas milho, cavaco chinês, guloseimas diversas e refrigerantes, etc. Era realmente um público diferenciado.
O anfi-teatro da escola municipal Dr. Chateaubriand até meados dos anos 2010 realizava ensaios, peças e shows, apesar de correr a boca miúda que no lugar que havia fantasmas amedrontando crianças e adolescentes.
Mesmo com a reforma e a chegada de cadeiras novas para o auditório, nada foi usado e acabou se desgastando com o tempo. O local continuou com as cadeiras desconfortáveis, mas nunca perdeu o título de celeiro das artes.

REFERÊNCIAS SETORIAIS
Mas o bairro de José Pinheiro não é e nem vive do que já teve e do que tem. Lá existe uma história de passado e de presente, e que está sempre se projetando para o futuro. Existem referências em vários setores da existência humana, a exemplo da economia, política e saúde, e até de lendas urbanas.
É impossível falar sobre José Pinheiro sem citar nomes políticos como Everaldo Agra, Alberto Agra e Tota Agra. Na mesma linha política e comercial não podemos esquecer Severino Germano, Jóia Germano e Saulo Germano. Quem também tem parte na história do Zepa é o político Jairo Sales, o médico Metuzelá Agra, o advogado Rossandro Agra e o ex-presidente da OAB José Agra, além da ex-prefeita de Massaranduba Marlice Agra e do empresário local José Roberto de Souza. Metuzelá e Rossandro são filhos ilustres do bairro, além de figuras respeitadas e que servem de referência na cidade.
Além dos residentes no setor ou que tinham familiares outros nomes ilustres costumavam freqüentar o local, a exemplo do político Rômulo Gouveia, do artistas Jackson do Pandeiro, Abdias, Genival Lacerda e Antonio Barros e Ceceu, sem esquecer, é claro, dos Três do Nordeste (e de Zé Pinheiro). E por falar da área de cultura sempre é bom é bom lembrar das quadrilhas juninas Pisa na Fulô, Balance da Cassemiro e Quadrilha Campos.
Da política, economia e cultura podemos avançar também para as lendas urbanas e acontecimentos da vida real. Um dos nomes mais citados e causadores de temor no bairro era o de Zé Jia, um homem que tinha uma doença rara que desfigurava sua fisionomia e causava salivação constante e em excesso, e que mais que uma lenda, era bem real. Falava-se no bairro que ele seqüestrava crianças que não obedeciam aos pais, mas, claro, tudo isso deve ter sido inventado pelos pais. O real mesmo e que entrou para a história foi a tragédia acontecida na Rua Campos Sales há 50 anos, com o estouro de um tubo de oxigênio usado para encher balões. A explosão virou noticia nacional e até hoje é lembrada pelo número de mortos e feridos na ocasião. O que seria apenas uma festa num parque de diversão acabou virando uma tragédia que até hoje, meio século depois, ainda tem perguntas sem respostas, mas continua projetando o bairro de José Pinheiro.
Outros nomes de referência no bairro, entre tantos, são o da professora de letramento Dona Guia, e as escolas Plínio Lemos, Círculo Operário e 16 de Julho (este ainda em atividade). Não podemos esquecer também a professora Lenira Rita, ativista cultural e artesã. Por falar em nomes de estabelecimentos, sempre podemos citar a Casa Santa Terezinha (da família Silva) o Mercadinho Dias e a Farmácia Agra, o shopping de automóveis e a sede do Palácio das Indústrias (Fiepb).
Além do grande comércio de carnes, costureiras, alfaiates e barbearias, o Zepa é o lugar do famoso sapateiro Miro, que conseguiu formar seu filho em medicina com recursos de sua profissão. Lá também é a sede do Clube Flamengo, time de pelada e local de festas. Quem também faz parte da história do bairro é Olímpio Oliveira, ex-comerciante, delegado de polícia e vereador. A diversão também era garantida com a instalação, todos os anos, dos parques Lima e Maia, e até o empresário responsável pelos equipamentos morava no setor.
Como todo bom e velho bairro, José Pinheiro também tem suas peculiaridades: sempre teve fama de ter o melhor metro quadrado de moças bonitas e de família mais cobiçado; a tradição da missa dominical na Igreja de São José e o culto no Tabernáculo, sempre com a presença de jovens; o passeio das pessoas pela Praça Joana D´arc e pelo abrigo, onde havia jogos de dominó, dama e baralho; os campeonatos de time de futebol de ´pelada´; e as rodas de samba, pagode e feijoada, geralmente bancadas por figuras políticas.
Atualmente José Pinheiro é um grande centro comercial tanto nos dias úteis como aos domingos, abrigando lojas de todos os gêneros, feira livre, bares e restaurantes; há também no setor amplo mercado imobiliário, clínicas médicas e dentárias, além de hospital e postos de saúde, central de velório e até cemitério. É um lugar privilegiado, a 3 minutos do centro da cidade e com posição geográfica invejável, com ampla valorização territorial. Além de tudo isso a comunicação no local também evoluiu. E muito. Agora é tudo pela internet. Se no passado havia a difusora de Gaúcho atualmente quem informa e forma opinião é o Portal Zona Leste, de César Martins. Por coincidência ou capricho do destino o portal está localizado na mesma rua da antiga difusora: Rua José Adelino de Melo.

Por Josemberg Lima
Jornalista

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