Cabo Verde faz história, se classifica e vai encarar a Argentina na próxima fase da Copa

Um arquipélago de 530 mil habitantes, que convive com a miséria e com as dificuldades tão típicas da África, escreveu a história de superação mais bonita da Copa do Mundo até aqui. Cabo Verde, em um grupo com Espanha e Uruguai, está classificada para a segunda fase. Mais ainda: enfrentará a Argentina de Messi.
A confirmação da vaga veio em um empate sem brilho, sem gols, mas cheio de entrega contra a Arábia Saudita, em Houston, nessa sexta-feira (26).
A maior cidade do Texas, quarta maior dos Estados Unidos, conhecida por ser o centro de operações da Nasa, por ter oferecido ao mundo Beyoncé, presenciou mais uma história de superação. Os cabo-verdianos, que falam português como a gente, entregaram o carisma de todos os outros jogos.
A começar pelo goleiro Vozinha. Aos 40 anos, Josimar de nome, em homenagem ao lateral brasileiro da Copa de 1986, que saiu de 50 mil para 20 milhões de seguidores nas redes sociais, deu seu show. Com ele, nada é simples. A começar que usa uma luva que parece maior do que a mão. Então é sempre um jeito atrapalhado de defender, intervir e lançar. Com os pés, dá até dribles.
Os jogadores de linha cometem erros com uma inocência infantil. E quando acertam, também comemoram como crianças. O que nunca falta é entrega. Dedicação. Como dizem a cada entrevista, a ordem é se divertir.
Dos 100 minutos da partida contra a Arábia Saudita, ficou pouco para a história da Copa do Mundo. Uma defesaça do goleiro saudita, é verdade. O registro mesmo veio logo após o apito final.
A festa com o estádio mais colorido da Copa, sem a presença maciça de uma torcida. Mas claramente inclinada a Cabo Verde. Uma volta olímpica para a eternidade. Uma história para ser filmada, contada em livros, acompanhada.
Foto: Ronaldo Schemidt / AFP
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