Bolsonarista condenado a 20 anos por matar petista em festa de aniversário vai para prisão domiciliar

A Justiça do Paraná concedeu prisão domiciliar ao ex-policial penal Jorge Guaranho, condenado pelo assassinato do tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) Marcelo Arruda, ocorrido em 2022, em Foz do Iguaçu. A decisão levou em conta o estado de saúde do réu, que apresenta sequelas graves e limitações funcionais.
De acordo com o Metrópoles, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) autorizou a medida no último dia 17 de março, após análise de exames médicos apresentados pela defesa, que indicam comprometimento significativo da autonomia do condenado.

Condenação e crime com motivação ideológica
Jorge Guaranho foi condenado em fevereiro de 2025 a 20 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado. Segundo o processo judicial, ele invadiu uma festa com temática do PT e atirou contra Marcelo Arruda, que celebrava seu aniversário de 50 anos com familiares e amigos. O caso ganhou repercussão nacional por ter sido classificado como um crime com motivação ideológica, ocorrido em um contexto de polarização política.

Defesa alegou quadro clínico grave
Ao solicitar a prisão domiciliar, a defesa argumentou que Guaranho sofre de “sequelas neurológicas, oromandibulares e ortopédicas decorrentes de politraumatismo grave, resultante em hemiparesia esquerda, dor crônica, limitação aos movimentos e comprometimento para a realização das atividades de vida diária, apresentando dificuldade para se alimentar e engasgos frequentes”.
O tribunal considerou comprovadas as condições médicas. “No que tange aos alegados problemas de saúde informados pela Defesa, restou comprovado […] que a pessoa sentenciada possui sequelas de trauma comprometedoras de sua qualidade de vida e autonomia para as atividades de vida diária, não havendo dúvidas de que necessita de cuidados e tratamentos especializados”, afirma a decisão.

Justiça aponta falta de estrutura no sistema prisional
O documento também destaca a inadequação do sistema prisional para o tratamento do condenado. “Assim, é razoável a extensão da prisão domiciliar à pessoa sentenciada do regime fechado, posto que o ambiente prisional não fornece adequadamente as condições para o tratamento de sua enfermidade”, registra o texto.
Durante o julgamento, a defesa sustentou que o réu agiu em legítima defesa e negou motivação política. No entanto, a juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler ressaltou que o condenado utilizou uma arma da União e que suas ações evidenciaram intolerância política no episódio.

Foto: Reprodução/TV 247
Metrópoles

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