Eduardo Bolsonaro amplia racha na direita, indica preferência por Flávio e critica Tarcísio. “É um tecnocrata de centro”

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a tensionar o cenário político ao comentar, em entrevista a Letícia Casado, do UOL nesta quarta-feira (26), a prisão do pai, Jair Bolsonaro (PL), a divisão interna na direita e a disputa antecipada para 2026. As declarações mostram novos atritos dentro do campo conservador, em um momento de forte repercussão nacional.
O deputado afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está mais preparado do que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) para disputar a Presidência. Ele ainda admitiu que o grupo pode apoiar uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas fez críticas ao governador paulista.

‘Prisão não vai apagar o bolsonarismo’
Eduardo minimizou os impactos da prisão de Jair Bolsonaro e disse que o movimento político segue fortalecido. “Não é uma prisão do Bolsonaro que vai fazer apagar o bolsonarismo. Acho até que é o contrário. Moraes, ao acelerar e abusar do seu poder, infla a possibilidade de senadores serem eleitos, principalmente, contra ele”, afirmou.
Segundo ele, a ausência de protestos massivos se deve ao receio da população de também ser punida. A população tem medo de “acabar presa como o povo do 8 de Janeiro”, disse. O deputado contou ainda que não percebeu perda de apoio após a detenção do pai: “Eu não perdi nenhum seguidor na rede social por causa disso […] enquanto os nossos opositores políticos mal conseguem sair às ruas”.
Para Eduardo, o bolsonarismo continua sendo o único movimento capaz de mobilizar pessoas de forma espontânea, o que considera essencial para o próximo ciclo eleitoral.

Embates e acusações de divisão
O deputado afirmou que não pretende recuar dos conflitos com outros nomes da direita, apesar da pressão interna do partido para evitar disputas públicas. Ele disse reagir a provocações e desconsiderar críticas de que alimenta um racha no campo conservador.
“Estou me lixando se vão falar que estou dividindo a direita. Eu vou falar a verdade. É assim que eu aprendi com meu pai [sobre] angariar um movimento político”, declarou.

Flávio como nome preferido
Embora defenda que a escolha do candidato do bolsonarismo deve ser feita internamente, Eduardo demonstrou clara preferência por Flávio Bolsonaro. “O Flávio já é uma pessoa conhecida, é um perfil mais articulador, que lida bem com várias pessoas do centro […] ele tem uma capacidade já demonstrada, já testada”, disse.
Sobre Michelle Bolsonaro, ele avaliou: “Falta ali um componente no escrutínio público, de ter um mandato”, afirmando que ela estaria menos preparada para assumir a disputa.

Críticas a Tarcísio de Freitas
Apesar de admitir que o grupo pode apoiar Tarcísio caso ele seja o nome escolhido, Eduardo Bolsonaro criticou a postura do governador. “Agora, não venham querer pintar o Tarcísio como uma pessoa de direita, porque ele não é. O Tarcísio é um tecnocrata de centro que, no cenário político, acha que ainda há margem para diálogo com o [Alexandre de] Moraes”, afirmou.
Ele também acusou o entorno do governador de acreditar que os votos da direita estão garantidos, o que considera um erro estratégico. “Achando […] que os votos da direita estão garantidos, ele tenta agradar o centro e a esquerda, e isso daí é uma estratégia errada”, disse.

Por Letícia Casado, do UOL

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