Trump diz que pode fazer o que quiser com Cuba. Presidente dos EUA afirma que “tomará” a ilha

O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (16) que pretende assumir o controle de Cuba e que tem plena liberdade para decidir o destino da ilha caribenha. As falas foram relatadas pela agência RT e rapidamente repercutiram nos principais veículos de comunicação internacionais, ampliando o estado de alerta diplomático em torno das relações entre Washington e Havana.
O chefe da Casa Branca não apenas sinalizou interesse em interferir nos rumos políticos de Cuba como foi além, usando uma linguagem que dispensou qualquer ambiguidade sobre suas intenções. O tom das declarações, incomum mesmo para os padrões do presidente estadunidense, eleva o nível de tensão num momento em que os dois países já mantêm conversas diplomáticas em meio a um cenário de crise.
“Cuba é uma ilha linda. Clima ótimo. Terei a honra de tomar Cuba. Se eu a libertar ou não, eu a tomarei. Acho que posso fazer o que quiser com ela, para falar a verdade”, afirmou Trump.
A fala ocorre em um momento particularmente delicado nas relações bilaterais. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, confirmou na última sexta-feira (13) que representantes do governo de Havana realizaram conversas recentes com autoridades americanas — um contato incomum, dado o histórico de antagonismo entre os dois países, e que ganha contornos ainda mais complexos diante das declarações de Trump.
O pano de fundo das tensões envolve questões estratégicas que vão além da relação direta entre os dois países. Washington classifica Cuba como uma “ameaça excepcional”, justificando essa avaliação pelos vínculos que Havana mantém com Rússia, China e Irã — três nações que os Estados Unidos tratam como adversários no tabuleiro geopolítico global.
A posição geográfica de Cuba amplifica o peso político do tema para o governo americano. A ilha está localizada a aproximadamente 150 quilômetros do território dos Estados Unidos, o que historicamente torna qualquer movimento político em solo cubano uma questão de segurança nacional para Washington. Trump tem defendido publicamente uma transformação no regime da ilha, e suas declarações desta segunda-feira indicam que essa postura está longe de ser apenas retórica.
A crise energética que assola Cuba atualmente adiciona mais uma camada de fragilidade ao cenário. O agravamento das condições internas na ilha coincide com o aumento da pressão externa exercida por Washington, criando um ambiente de vulnerabilidade que, na visão de analistas, pode ser explorado politicamente pelos EUA para avançar em sua agenda de mudança de regime em Havana.
Colecionador de polêmicas
As declarações de Trump fazem parte de uma polêmica política externa adotada em seu atual mandato. Ao longo deste semestre, os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro e trabalham para instalar no país um governo alinhado aos interesses da administração Trump.
A justificativa apresentada por Washington gira em torno de alegadas ligações do líder venezuelano com o tráfico de drogas. No entanto, o que está em jogo é o acesso ao petróleo. Dados publicados pelo site World Atlas revelam que a Venezuela detinha, em 2024, as maiores reservas de petróleo do mundo, com 300,9 bilhões de barris — à frente da Arábia Saudita, segunda colocada com 266,5 bilhões, e do Canadá, terceiro com 169,7 bilhões de barris.
A cobiça americana não se restringe à América do Sul. A Groenlândia também figura entre as prioridades geopolíticas de Trump. O território, habitado por cerca de 56 mil pessoas, esconde um vasto patrimônio natural: reservas de petróleo e gás, metais variados, ouro e urânio — mineral de duplo uso, empregado tanto na geração de energia nuclear quanto no desenvolvimento de armamento atômico. Além das riquezas do subsolo, a posição estratégica da ilha — situada entre os territórios americano e russo — reforça seu valor militar e geopolítico. O solo groelandês também abriga hidrocarbonetos, matéria-prima essencial para a produção de combustíveis.
Do ponto de vista político, a Groenlândia tem uma trajetória particular. Antiga colônia dinamarquesa, o território foi formalmente incorporado ao Reino da Dinamarca em 1953 e permanece sob o alcance da Constituição do país escandinavo. Ainda assim, tanto as comunidades indígenas locais quanto parcelas do governo groelandês resistem à exploração de petróleo e gás natural na região, movidas por preocupações com os impactos ambientais dessa atividade.
Foto: Joyce N. Boghosian/Casa Branca I Reuters
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