Aliado de Flávio chama jornalistas de prostitutas e, ao se retratar, pede “desculpas às putas”

Paulo Figueiredo, aliado de Flávio Bolsonaro, voltou a atacar jornalistas nesta quarta-feira (30) ao publicar uma mensagem em tom de deboche nas redes sociais, apresentada como uma “nota de desculpas”. No texto, ele afirma que pretende se retratar por ter comparado jornalistas da grande imprensa a prostitutas durante uma edição de seu programa, mas termina pedindo desculpas “às putas brasileiras”.
a nova manifestação ocorre após a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgar uma nota pública condenando os ataques feitos por Figueiredo contra profissionais da imprensa e defender a responsabilização pelas declarações.
Na publicação, intitulada “Nota de desculpas”, Paulo Figueiredo afirma: “Venho, por meio desta, desculpar-me pelos comentários infelizes proferidos na edição de número 295 do Paulo Figueiredo Show, quando comparei os jornalistas da grande mídia que vendem suas opiniões por dinheiro a ‘putas’.”

Em seguida, o bolsonarista sustenta que a declaração teria sido uma generalização e acrescenta: “Mesmo tendo deixado claro que o comentário não tinha alvo específico e enfatizado que se tratava de uma generalização, entendo que, dado o baixo grau de escolaridade de alguns da profissão, figuras de linguagem podem ser mal compreendidas.”
Na sequência, ele diz reconhecer que “acabou ofendendo alguns” jornalistas e afirma que existem profissionais que prestam “um serviço importante, dedicado e essencial ao funcionamento da nação desde a sua fundação”. Contudo, encerra o texto retomando o tom ofensivo:
“Assim sendo, quero expressar aqui meus mais sinceros pedidos de desculpas ÀS PUTAS BRASILEIRAS que tenham se sentido ofendidas por tal comentário.”
Abert condena ataques e pede responsabilização
Em nota divulgada após as declarações de Paulo Figueiredo, a Abert classificou os ataques como incompatíveis com a liberdade de expressão e afirmou que esse tipo de manifestação ultrapassa os limites do debate democrático.
A entidade destacou que as declarações representam uma tentativa de intimidar profissionais da imprensa e comprometem o direito da sociedade de receber informação livre, plural e independente.
A associação também considerou especialmente graves as manifestações dirigidas à jornalista Miriam Leitão, classificando-as como misóginas e incompatíveis com o ambiente democrático. Para a entidade, críticas ao trabalho da imprensa não podem servir de justificativa para ofensas pessoais ou discursos que estimulem hostilidade contra jornalistas.
Liberdade de imprensa
Na avaliação da Abert, declarações que buscam desqualificar jornalistas em razão de sua atividade profissional configuram uma ameaça à liberdade de imprensa e contribuem para a criação de um ambiente de intimidação que pode incentivar episódios de violência contra profissionais da comunicação.
A entidade reforçou que jornalistas não podem ser constrangidos ou atacados pelo exercício de sua profissão e defendeu que os órgãos competentes apurem os fatos e adotem as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos.
Foto: Reprodução
Brasil 247



