Balística comprova: arma que matou gari é a mesma apreendida na casa de empresário preso. Advogados deixam o caso

O exame de balística realizado por peritos da Polícia Civil confirmou que a arma utilizada no assassinato do gari Laudemir Fernandes é a mesma que foi apreendida na casa do empresário Renê da Silva Nogueira Junior, principal suspeito do crime.
A investigação, segundo a própria polícia, confirmou que se trata da arma de uso pessoal da delegada Ana Paula Balbino Nogueira, esposa de Renê, e não da arma funcional utilizada em serviço.
O revólver foi apreendido pela polícia na residência do casal, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no dia do crime. Na ocasião, um dos revólveres, calibre 38, foi recolhido — o mesmo calibre do disparo que resultou na morte do gari. Após análises comparativas, a polícia concluiu se tratar do mesmo artefato.
Desde o dia do crime, Renê nega envolvimento, e a delegada vem sendo investigada pela Subcorregedoria da Polícia Civil. Ela segue no exercício da função. O g1 entrou em contato com os advogados dos acusados, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), também presente no inquérito, o gari foi atingido por um disparo que atravessou o abdômen.
O exame de necropsia confirmou que a vítima morreu em decorrência de hemorragia interna, provocada por um único disparo de arma de fogo no abdômen.
O tiro atingiu órgãos vitais, causando sangramento intenso e rápido agravamento do quadro, o que levou à morte. A conclusão do laudo aponta que o óbito foi violento, de natureza homicida, e compatível com ação intencional, reforçando a gravidade do ataque.
Os indícios apontam que a vítima teve pouco tempo de vida após ser atingida, devido à gravidade do ferimento.

Prisão preventiva
O empresário passou por audiência de custódia na última quarta-feira (13) e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após representação do Ministério Público. Nesta quinta (14), a Justiça autorizou a quebra de sigilo telefônico do suspeito.
Um vídeo mostra a reação dele ao descobrir que continuará preso (veja acima). Na gravação, o empresário inclina a cabeça para baixo e apresenta semblante abatido ao receber a notícia. Em seguida, ele é levado embora algemado.
“[Tendo em vista] todo esse contexto, gravidade concreta dos fatos, reiteração delitiva do agente eu acolho, por garantia da ordem pública, eu acolho integralmente o parecer ministerial e converto seu flagrante em prisão preventiva”, concluiu o juiz Leonardo Damasceno.
No mesmo dia, o suspeito, que estava no Ceresp Gameleira, foi transferido para o Presídio de Caeté, na Grande BH.
A defesa chegou a pedir o relaxamento da decisão da Justiça, argumentando que não havia indícios suficientes para manter a determinação de prisão. O suspeito foi preso na segunda-feira (11), em uma academia de Belo Horizonte, horas após o crime.
Os advogados destacaram que o acusado é réu primário, possui bons antecedentes e residência fixa. Além disso, a defesa de Renê pediu que o caso fosse colocado sob sigilo, mas a Justiça não atendeu à solicitação.
O juiz não acolheu os argumentos. Ele alegou haver elementos suficientes para manter a prisão, como “perseguição ininterrupta” da polícia, identificação do veículo e reconhecimento de testemunhas. O magistrado também afirmou que se trata de um crime hediondo e que é necessário punição.

Personalidade ‘violenta’ e ‘desequilibrada’
O juiz disse ainda considerar a personalidade de Renê “violenta” e “desequilibrada”. Ele apontou que o suspeito se sentiu confortável em ir treinar em academia após atirar e matar Laudemir.
“Ao que tudo indica, ele foi pra academia… quer dizer, comete um crime e vai treinar numa academia? Situação que merece apuração sobre a personalidade do agente”, afirmou o juiz Leonardo Damasceno, da Central de Audiência de Custódia de Belo Horizonte.

Empresário nega crime
Durante a audiência, o empresário negou o crime, afirmou ter ido para o trabalho, passeado com o cachorro e seguido para a academia. Ao sair do local, se deparou com os policiais e foi preso.
A prisão ocorreu com base no reconhecimento de testemunhas e em imagens de câmeras de segurança que flagraram o carro do suspeito em direção à rua em que o gari foi baleado, momentos antes dos tiros.
Duas armas, que pertencem à esposa delegada do suspeito, foram apreendidas na casa do casal e serão periciadas.
A Corregedoria da Polícia apura se houve por parte da delegada omissão de cautela, quando há descuido com o equipamento, na guarda dos armamentos.

ADVOGADOS DEIXAM DEFESA
Os advogados Leonardo Guimarães Salles, Leandro Guimarães Salles e Henrique Vieira Pereira deixaram nesta segunda-feira (18) de defender o empresário Renê da Silva Nogueira Junior, preso pela morte do gari Laudemir Fernandes, em Belo Horizonte.
A prisão de Renê ocorreu no último dia 11, horas após a morte de Laudemir. Renê disparou depois de se irritar com trabalhadores da limpeza urbana devido ao caminhão de lixo, que estava parado na rua enquanto ele tentava passar com seu carro. O empresário ameaçou, inicialmente, atirar na motorista do veículo e acabou disparando contra Laudemir, que fazia a coleta.

G1

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