Banco Central mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cinco cortes consecutivos
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), interrompendo uma sequência de cinco cortes consecutivos iniciada em março de 2026. A decisão ocorre após a elevação das expectativas de inflação e do dólar pelo mercado financeiro, que também passou a projetar menor crescimento econômico depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A taxa básica estava em 15% ao ano até março, quando o Banco Central iniciou o ciclo de redução dos juros. Desde então, o Copom promoveu cinco cortes de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,75% em março, 14,50% em abril, 14,25% em junho, 14% em agosto e 13,75% em setembro.
A manutenção dos juros ocorre na primeira reunião do comitê após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. Desde a confirmação da vitória de Lula, instituições financeiras revisaram suas projeções para os principais indicadores econômicos, com expectativas de inflação e câmbio mais elevados.
O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento para controlar a inflação. Quando os juros estão elevados, o crédito tende a ficar mais caro, o que reduz o consumo e os investimentos e pode diminuir as pressões sobre os preços.
Brasil lidera ranking internacional de juros reais
Com a Selic em 13,75% ao ano, o Brasil ocupa a primeira posição em um levantamento de 40 países elaborado pelos sites MoneYou e Lev Intelligence.
A taxa real de juros brasileira, calculada a partir dos juros nominais descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, está em 8,45% ao ano. A Rússia aparece na segunda colocação, com 6,79%.
O patamar elevado dos juros influencia diretamente o custo dos empréstimos e financiamentos para famílias e empresas. Também aumenta a remuneração de aplicações financeiras vinculadas à Selic e as despesas do governo com a parcela da dívida pública atrelada à taxa.
Meta de inflação é de 3% ao ano
Desde janeiro de 2025, o Banco Central trabalha com uma meta contínua de inflação de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O intervalo permitido, portanto, vai de 1,5% a 4,5%.
Para definir a Selic, o Copom considera principalmente as projeções de inflação para os próximos anos, já que os efeitos de alterações na taxa básica demoram a se transmitir à economia.
Atualmente, o horizonte relevante considerado pelo Banco Central alcança o segundo trimestre de 2028. Isso significa que as decisões sobre juros levam em conta a trajetória esperada da inflação nesse período, além dos indicadores econômicos mais recentes.
Na reunião de setembro, a autoridade monetária projetava inflação de 5,2% para 2026, 3,9% para 2027 e 3,2% para o primeiro trimestre de 2028. As três estimativas estavam acima do centro da meta de 3%.
A decisão desta quarta-feira mantém a Selic no mesmo patamar estabelecido em 16 de setembro. O Copom terá mais uma reunião em 2026, marcada para os dias 8 e 9 de dezembro, quando voltará a avaliar a trajetória da inflação e as condições para eventuais alterações nos juros.
Brasil 247



