Carla Zambelli foge do Brasil após condenação e diz que vai pedir licença da Câmara. Lindbergh Farias vai acionar Interpol

A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) revelou, em transmissão ao vivo nas redes sociais, que está fora do Brasil “há alguns dias” e que pretende formalizar um pedido de licença do mandato parlamentar, informa o g1. Condenada a dez anos de prisão por participação na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a parlamentar afirmou que viajou à Europa em busca de tratamento médico.
“Queria anunciar que estou fora do Brasil já faz alguns dias. Eu vim a princípio buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e agora eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo. Tem essa possibilidade da Constituição, acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia porque foi o que o Eduardo [Bolsonaro] fez também”, disse Zambelli na live.
A decisão que condenou a deputada foi proferida em 18 de maio pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou a perda automática de seu mandato. No entanto, a efetivação dessa medida ainda depende de análise pela Câmara dos Deputados, onde há divergências sobre se a competência cabe à Mesa Diretora — como entendeu o STF — ou ao plenário da Casa.
A localização exata da parlamentar permanece desconhecida inclusive para sua própria defesa, segundo relataram seus advogados à imprensa.
Apesar de ser vista como um fator de desgaste dentro do PL, Zambelli deve receber apoio da bancada da legenda na Câmara. A deputada, no entanto, já foi apontada publicamente por Jair Bolsonaro (PL) como uma das principais responsáveis pelo desempenho eleitoral aquém do esperado em 2022. Desde então, sua relação com ele tem se mantido distante e marcada por tensões.
Com a possível licença de Zambelli, seu suplente deverá assumir temporariamente a cadeira, enquanto prosseguem os desdobramentos judiciais e políticos do caso.

LINDBERGH DIZ QUE VAI ACIONAR INTERPOL: “LOCALIZAR, PRENDER E EXTRADITAR”
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara, afirmou nesta segunda-feira (3) que pretende solicitar o acionamento do alerta vermelho da Interpol para localizar, prender e extraditar a deputada Carla Zambelli (PL-SP), após a confirmação de que a parlamentar deixou o Brasil. A informação foi divulgada em postagem feita por Lindbergh nas redes sociais, em reação à transmissão ao vivo em que Zambelli revelou estar fora do país “há alguns dias”.
A declaração do parlamentar petista também foi um duro recado político. “Essa turma é leão para atacar a democracia e covarde na hora de responder por seus crimes!”, escreveu. Ele ainda alertou para o risco de uma eventual fuga de Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente da República, que é investigado por tentativa de golpe de Estado. “Não tenho dúvida de que Bolsonaro pode ir pelo mesmo caminho. Não podemos permitir a fuga de uma eventual condenação por golpe de Estado. A PGR tem todos os instrumentos para impedir isso: cassar passaporte, usar tornozeleira eletrônica ou pedir uma prisão preventiva!”, defendeu Lindbergh.
Conforme revelou o portal G1, Zambelli declarou em sua live que deixou o Brasil em direção à Europa em busca de um suposto tratamento médico e que pretende formalizar pedido de licença do mandato. “Eu vim, a princípio, buscando tratamento médico que eu já fazia aqui e agora eu vou pedir para que eu possa me afastar do cargo. Tem essa possibilidade da Constituição; acho que as pessoas conhecem um pouco mais essa possibilidade hoje em dia porque foi o que o Eduardo [Bolsonaro] fez também”, disse a deputada, fazendo referência ao filho do ex-presidente.
A parlamentar foi condenada no último dia 18 de maio pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão por sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no episódio em que atuou ao lado do hacker Walter Delgatti Neto. A sentença também determinou a perda automática do mandato, mas a aplicação dessa medida ainda aguarda deliberação por parte da Câmara dos Deputados, que discute se a decisão compete à Mesa Diretora ou ao plenário da Casa.
O paradeiro de Zambelli permanece desconhecido, inclusive para sua própria defesa. De acordo com seus advogados, eles não sabem onde a cliente se encontra neste momento. A situação gerou desconforto no PL, partido ao qual a deputada é filiada, embora ela ainda conte com apoio de parte da bancada da legenda na Câmara. Apesar disso, sua relação com Jair Bolsonaro se deteriorou após o resultado das eleições de 2022, quando o ex-presidente chegou a responsabilizá-la publicamente pelo desempenho abaixo do esperado.
Com o afastamento da parlamentar, seu suplente deverá assumir provisoriamente a cadeira no Congresso, enquanto prosseguem os desdobramentos jurídicos e políticos do caso. A possível fuga de Zambelli pode influenciar diretamente no debate sobre medidas preventivas em relação a outros investigados pela Justiça, como o próprio Bolsonaro, cujas movimentações voltaram a ser alvo de atenção no cenário político.

Foto: Pablo Valadares / Agência Câmara
Brasil 247

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