Construindo o futuro: ´pavimentação junina´, por Josemberg Lima

Na década de 80 a vizinha cidade de Caruaru, em Pernambuco, predominava em absoluto como ´capital do forró´, título legítimo devido as estruturas governamentais locais, tais como prefeitura e governo do estado trabalhando irmanadas sempre preservaram e promoveram a cultura regional nordestina.
Na infância ouvi músicas relatando mestre Vitalino, aclamando o barro, artesanato, o forró pé-de-serra, o chapéu de couro, vaquejadas, viola, violeiros, banda de pífanos, trios de forró, bonecas de pano, artefatos de palha, chita e culinária, fome, seca e miséria, além de desajustes sociais na região Nordeste.
Na Paraíba, Santa Luzia e Taperoá eram os municípios vitrines no calendário junino, se transformando no destino da elite paraibana.
A cidade rainha da Borborema já pavimentava sua trajetória de maior e melhor São João do Mundo, provavelmente até inconsciente de seu potencial.
O Departamento de Cultura e Recreação, com seus integrantes Lenira Rita, Thereza Madalena e Eraldo César já assinavam o passaporte pra o futuro. Os festejos juninos predominaram nos bairros e distritos, os arraiais (leia-se quadrilhas juninas) aconteciam nas ruas com adornos, decorações temáticas, barracas, quermesses e atrações. A gestão do então do prefeito Enivaldo Ribeiro deu os primeiros passos com a Feirinha Shopping Center, hoje Shopping Lindaci Medeiros, localizado vizinho ao prédio da Câmara Municipal. O local anteriormente dava conexão com o Parque Evaldo Cruz.
Por ter perdido as condições de funcionamento no local e causar transtornos acabou sendo transferida para a Rua Sebastião Donato, bem próximo ao Centro Cultural, ficando então numa área ampla e com muito verde, já que no setor tinha os conhecidos coqueiros de José Rodrigues.


Nos bairros, praças, centro da cidade e distritos aconteciam arraiais promovidos por moradores locais, pelas SABs e clubes esportivos.
A zona Leste da cidade se destacava pela maior densidade cultural da área e só para citar exemplos eram de lá as quadrilhas Arraial Tia Joana (Rua Joana D´arc de Arruda) Arraial Felicidade (Rua José Vieira); Quadrilha da Borborema; Arraial Fernandes Vieira; Quadrilha Silva Jardim; Arraial Amaro Coutinho; Balancê da Cassemiro; Arraial Lenira Rita (que tinha como madrinha a cronista social Graziela Emerenciano e como padrinho Diógenes Bezerra – seu esposo). O casal sempre freqüentava e participava da festa na comunidade.
Tinha ainda o Arraial Praça Encontro de Quadrilhas da zona Leste, evento promovido pela SAB de José Pinheiro e organizado por Agripino Batista (ex-vereador em Campina Grande); Arraial Belo Monte, Arraial Pedro da Costa Agra; Balancê Estácio de Sá; Forró da Tamandaré; Quadrilha Elpídio de Almeida; Quadrilha Palmeira; Arraial Ouro Branco; Quadrilha 4 de Outubro; Quadrilha Rua da Floresta; Quadrilha Vila Nova da Rainha e Quadrilha Miguel Couto.
Além delas, havia ainda a Quadrilha Virgens da Seca; Gay Drilha (na Liberdade); Forró da SABLE (no bairro 40); Arraial do Sol; Arraial das Malvinas; Quadrilha Vila Sesc; Arraial Rômulo Gouveia; Arraial do Poeta; Arraial Felicidade; Arraial Sintab; Quadrilha Santo Antonio; Arraial Vila Castelo Branco; Forró Santa Cecília; Campinense Clube; Forró do Entra e Sai; Clube Caçadores, AABB; Spazzio; ex-Forrock e ex-Gresse; Clube Aliança 32; Clube Paulistano; Forró da Espaçonave; Ypiranga e BNB.
A cidade era um celeiro cultural de muita riqueza e curioso é que o erário público era pouco requisitado para os eventos. Os recursos eram levantados pela comunidade. Era uma época de violência mínima, índices de assaltos praticamente inexistentes. Nesse tempo aconteciam eventos abertos e sem nenhum risco de qualquer tipo de violência ou contratempo.
No Palhoção (hoje Pirâmide) a festa era garantida. Devido ser um lugar bem popular havia uma tendência natural do local se transformar uma expansão do Ypiranga Clube, recinto freqüentado por um público fiel e de baixa renda, mas com alto estima na animação e com muita habilidade na dança.

Por Josemberg Lima
Jornalista

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