Eduardo Bolsonaro amplia divisão no PL e afasta Michelle da campanha de Flávio. Ex-deputado chama madrasta de imatura

A declaração do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) classificando como “imatura” a decisão de Michelle Bolsonaro de divulgar um vídeo com críticas ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou um novo desgaste entre aliados da ex-primeira-dama. O episódio ampliou o distanciamento de Michelle em relação à campanha presidencial de seu enteado, frustrando os planos da direção partidária que busca projetar uma imagem de pacificação e unidade interna, informa o jornal O Globo.
Segundo pessoas próximas à ex-primeira-dama, a nova fala de Eduardo reforçou sua convicção de que a publicação do vídeo, feita no mês passado, era necessária. Na avaliação desse grupo, as declarações confirmam que a imagem de Michelle continua sendo alvo de ofensas públicas, ao mesmo tempo em que a liderança comunitária é cobrada reservadamente a preservar a harmonia familiar e política do bolsonarismo.
Interlocutores da ex-primeira-dama destacam a incoerência de cobrá-la por discrição nos bastidores enquanto ela é criticada abertamente em público. Eles apontam que a origem da ruptura com Flávio ocorreu durante as negociações para a disputa ao Senado no Ceará. Michelle defendia o nome da vereadora Priscila Costa (PL-CE), vice-presidente nacional do PL Mulher e sua aliada próxima. No entanto, Flávio articulou o apoio do partido a Alcides Fernandes (PL-CE), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE).
O conflito escalou para o cenário nacional no final do ano passado, quando Michelle criticou, durante evento no Ceará, a aproximação do PL com o ex-presidenciável Ciro Gomes (PSDB). Na época, Flávio rebateu afirmando que a ex-primeira-dama havia sido “autoritária” e “constrangedora” ao questionar uma aliança que tinha o aval de Jair Bolsonaro (PL). Em seguida, Eduardo e Carlos Bolsonaro saíram em defesa do irmão e passaram a criticar abertamente a postura da madrasta.
É justamente este histórico que a equipe e interlocutores de Michelle utilizam para rebatê-lo. De acordo com aliados, não foi a ex-primeira-dama quem tornou pública uma divergência familiar, mas sim os próprios filhos do ex-presidente, que levaram o debate para a esfera pública logo após os episódios no Nordeste. O vídeo divulgado por ela posteriormente foi classificado como uma reação legítima às acusações anteriores.
Reservadamente, o grupo de apoio à ex-primeira-dama avalia que a fala recente de Eduardo demonstra a falta de disposição dos filhos velhos de Jair Bolsonaro em encerrar o impasse. A cobrança para que o tema seja resolvido internamente contrasta com as posturas públicas assumidas pelos irmãos desde o início do atrito.

Esquema de segurança reforçado e foco no DF
O agravamento da crise familiar e partidária refletiu-se também na segurança de Michelle. Conforme apurado, a equipe responsável pela proteção da ex-primeira-dama ampliou o efetivo, revisou protocolos e reforçou o monitoramento dos discursos e interações digitais. A medida foi tomada após a constatação de uma escalada de ataques virtuais, avaliada pelos agentes como um risco real que poderia gerar hostilidades no ambiente físico. A equipe de segurança correlaciona diretamente o aumento das ofensas ao acirramento do conflito com Flávio.
Diante do cenário, Michelle reafirmou a aliados que manterá a estratégia de se afastar da pré-campanha presidencial do enteado, concentrando sua atuação política no Distrito Federal. A expectativa é que ela defina e anuncie sua eventual candidatura ao Senado pelo DF no dia 5 de agosto, data limite do período de convenções partidárias.
Ela já confirmou que não comparecerá à convenção nacional do PL, marcada para o próximo sábado (25) em São Paulo, na qual será oficializada a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A ex-primeira-dama pretende estar presente apenas no ato da legenda na capital federal.

PL tenta estancar a crise
A manifestação de Eduardo ocorreu em um momento no qual a cúpula do partido busca demonstrar controle da situação. Após reunião entre Flávio Bolsonaro, o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e o coordenador da campanha presidencial, senador Rogério Marinho (PL-RN), este último buscou minimizar as divergências públicas.
Marinho declarou que o convite para a convenção nacional permanece aberto e ressaltou a relevância política da ex-primeira-dama para a estratégia eleitoral do partido. “Michelle foi convidada. Será um prazer recebê-la. Até agora ela é candidata ao Senado. O partido tem interesse na candidatura dela. É um quadro extremamente importante para nós, com relevância não só no Distrito Federal, mas em todo o Brasil”, declarou o senador.

Brasil 247

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