Flávio Bolsonaro dividia conta bancária com advogado suspeito de lavar dinheiro do INSS, diz site

O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), teria uma conta no banco Santander com o advogado Willer Tomaz, investigado na operação Sem Desconto, segundo indicam e-mails obtidos pela Polícia Federal. A informação foi divulgada pelo Uol, neste sábado, 10. Ao site, Flávio e Tomaz negam.
O senador já foi questionado anteriormente sobre seu vínculo com Willer Tomaz, descrito por ele como um amigo próximo e “respeitadíssimo”. Segundo Flávio, o advogado estaria sendo “perseguido” por fazer parte de seu entorno.
Tomaz é investigado pela Polícia Federal no caso dos descontos indevidos contra aposentados do INSS. Ele é suspeito de ter lavado dinheiro desviado das aposentadorias para o senador Weverton Rocha (PDT-MA), também investigado. O advogado foi alvo de busca e apreensão em agosto. Em 2017, Tomaz chegou a ser preso no inquérito sobre propina paga pela JBS, em denúncia que posteriormente foi rejeitada por falta de provas.
Na investigação sobre os desvios no INSS, a PF encontrou e-mails trocados entre o escritório de advocacia de Willer Tomaz e o banco Santander.
Em 22 de maio de 2025, uma funcionária de Tomaz pede ao Santander que fossem desassociadas do “usuário master” a conta “3219*29 – Flávio Bolsonaro” (os números da conta foram suprimidos por questões de privacidade).
Em resposta ao e-mail, o Santander confirma que a contra atrelada a Flávio Bolsonaro havia sido excluída. O movimento teria ocorrido praticamente um mês após a deflagração da primeira fase da operação Sem Desconto.
O Santander permite que mais de uma pessoa acessem uma conta de Pessoa Jurídica (PJ). Para isso, ele divide os usuários entre “master”, que pode executar todas as operações da conta, e “secundário”, que pode fazer funções permitidas pelo master.
Ainda segundo o site, o e-mail da funcionária de Tomaz fazia referência a mais de um usuário que podiam administrar uma conta PJ ligada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, em que o advogado aparece como sócio.
Em seu relatório, a Polícia Federal aponta a necessidade de aprofundar as investigações sobre movimentações financeiras de Willer Tomaz e suas empresas, assim como sua relação com agentes públicos a exemplo de Flávio Bolsonaro.
Ao site, a assessoria do candidato à Presidência disse que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz”.
“Toda e qualquer informação nesse sentido é falsa. Igualmente falsa é a alegação de que o senador teria criado um usuário no sistema Rede Loto. Isso jamais ocorreu”, continuou.
A assessoria de Flávio disse ainda que as informações seriam “insinuações” compartilhadas com o “propósito único” de “espalhar fake news”. “É importante ressaltar que a divulgação de fake news é crime eleitoral. Os envolvidos pela divulgação de notícias falas serão responsabilizados criminalmente”, escreveu a equipe.
A assessoria do advogado Willer Tomaz também negou a existência da conta dividida com Flávio Bolsonaro.
‘Entre os dois há apenas amizade, sem relação comercial ou financeira. Atribuir-lhe condutas inexistentes, com base em ilações sem comprovação, é uma grave irresponsabilidade”, escreveu.
“Em plena campanha eleitoral, fabricam-se mentiras com o evidente propósito de interferir no resultado do pleito”, complementou a assessoria, que finalizou dizendo que Tomaz adotará medidas judiciais cabíveis contra quem divulgar “acusações falsas ou utilizarem informações obtidas ilicitamente para atingir sua honra e reputação”.

Foto: Reprodução/X
Terra

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