Greta Thunberg é deportada para a Suécia. Ativista brasileiro Thiago Ávila permanece detido em Israel

A ativista sueca Greta Thunberg foi deportada de Israel nesta terça-feira (10), após ter participado de uma ação pró-Palestina que desafiava o bloqueio naval imposto por Israel à Faixa de Gaza. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores israelense e publicada originalmente pela rede britânica BBC.
Greta integrava um grupo de 12 ativistas que navegavam rumo a Gaza a bordo do iate Madleen, transportando uma quantidade simbólica de ajuda humanitária para a população palestina. A embarcação, no entanto, foi interceptada por forças israelenses no Mediterrâneo e levada ao porto de Ashdod na noite de segunda-feira (9).
Em nota publicada na rede X, o governo de Israel caracterizou a ação como uma “provocação midiática”, chamando o Madleen de “iate das selfies”. Segundo o ministério, “enquanto Greta e outros tentavam encenar uma provocação cuja única finalidade era ganhar visibilidade — e que incluía menos que a carga de um único caminhão de ajuda — mais de 1.200 caminhões de auxílio entraram em Gaza nas últimas duas semanas”.
Após ser conduzida ao aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, Thunberg aceitou a deportação e embarcou em um voo com destino à França, de onde seguiria para a Suécia, seu país de origem. Uma foto dela a bordo do avião foi publicada nas redes sociais do governo israelense.
No entanto, a situação de outros ativistas a bordo do Madleen ainda é incerta. O chanceler francês Jean-Noël Barrot informou que cinco dos seis cidadãos franceses detidos se recusaram a assinar as ordens de deportação. “Um deles aceitou sair voluntariamente e deverá retornar hoje. Os outros cinco serão submetidos a procedimentos de expulsão forçada”, escreveu Barrot, também em publicação na rede X. Entre os franceses detidos estão a eurodeputada Rima Hassan e o jornalista da Al Jazeera Omar Faiad.
A Flotilha da Liberdade, responsável pela operação do Madleen, afirmou que esperava a transferência de ativistas que recusaram a deportação para a prisão de Ramle, próxima a Tel Aviv. Em nota, o grupo declarou: “continuamos exigindo a libertação imediata de todos os voluntários e a devolução da ajuda roubada. O sequestro deles é ilegal e viola o direito internacional”. A organização informou que o barco transportava fórmulas infantis, alimentos e medicamentos e que havia zarpado da Itália no dia 1º de junho para denunciar as condições de fome na Faixa de Gaza.
Israel, por sua vez, sustenta que o bloqueio naval tem como objetivo impedir o envio de armas ao Hamas. No domingo anterior à interceptação, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, já havia alertado que o país agiria contra qualquer tentativa de romper o bloqueio.
A FFC contesta a legalidade do bloqueio, considerando as ações israelenses como uso ilegal da força contra civis e classificando os pronunciamentos oficiais como “tentativas de justificar essa violência com calúnias”.
A ação do Madleen remete ao episódio de 2010, quando soldados israelenses mataram 10 ativistas turcos ao abordar a embarcação Mavi Marmara, que liderava uma flotilha de ajuda humanitária com destino à Faixa de Gaza.

ATIVISTA BRASILEIRO PERMANECE DETIDO EM ISRAEL
O ativista brasiliense Thiago Ávila, de 38 anos, permanece detido em um centro de detenção israelense após se recusar a assinar os documentos necessários para sua deportação. Ávila foi capturado na segunda-feira (9) pela Marinha de Israel junto à ambientalista sueca Greta Thunberg, de 22 anos, e outros militantes que navegavam em direção a Gaza com suprimentos humanitários.
De acordo com fontes ouvidas pelo Metrópoles, o brasileiro optou por não cumprir os procedimentos de deportação por estar sem informações sobre o paradeiro dos demais tripulantes da embarcação. Devido à recusa, Ávila foi transferido para uma instalação de detenção no território israelense, onde deverá aguardar uma audiência judicial que pode autorizar sua deportação forçada.
Enquanto o ativista brasileiro permanece detido, o governo israelense confirmou nesta terça-feira (10) que Greta Thunberg já foi liberada. Após sua captura no veleiro Madleen, a jovem sueca foi transportada para Tel Aviv e embarcou em um voo com destino à França. O Ministério das Relações Exteriores de Israel divulgou nas redes sociais duas fotografias mostrando Thunberg a bordo da aeronave.
“Os passageiros do ‘Iate da Selfie’ chegaram ao Aeroporto Ben Gurion para embarcarem em Israel e retornarem aos países de origem. Alguns deles devem partir nas próximas horas. Aqueles que se recusarem a assinar os documentos de deportação serão levados perante uma autoridade judicial, de acordo com a lei israelense, para autorizar a deportação”, informou a pasta em publicação oficial. As autoridades não esclareceram se outros participantes do grupo de ativistas também foram enviados para a França junto com Thunberg.
Natural de Brasília, Thiago Ávila integrava a Coalizão Flotilha da Liberdade, iniciativa que tem como propósito transportar auxílio humanitário para a população palestina que vive na Faixa de Gaza. Em gravação feita antes da interceptação, o brasileiro relatou que a embarcação onde se encontrava foi abordada pelas forças militares israelenses no domingo (8) enquanto navegava em direção ao enclave palestino.
A família do ativista manifestou apreensão com sua situação. Ivo Filho, pai de Thiago, expressou inquietação pelo fato de o filho ter ficado mais de 12 horas sem estabelecer contato após a interceptação do barco. “Eles foram colocados em um tipo de barco. [O vídeo] mostra a imagem deles recebendo pão e água de um soldado. Mas não temos mais notícia alguma”, declarou.
O contexto da operação humanitária está relacionado às recentes decisões do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu sobre o bloqueio de ajuda para Gaza. Após implementar restrições à entrada de suprimentos humanitários no território palestino, Netanyahu recuou da medida em 19 de maio, suspendendo o bloqueio no enclave.
Segundo o governo israelense, a estratégia de bloqueio tinha como finalidade pressionar o Hamas a liberar os reféns que ainda permanecem em Gaza. Contudo, a medida intensificou a crise humanitária na região e amplificou a pressão internacional contra a administração Netanyahu.
A Freedom Flotilla Coalition, projeto do qual Ávila participava, tem duplo objetivo: fornecer assistência humanitária à população de Gaza e chamar a atenção da comunidade internacional para a situação humanitária crítica no território palestino.
Conforme as diretrizes habituais, os ativistas detidos deverão ser repatriados para seus países de origem assim que completarem os procedimentos de deportação.

Brasil 247

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