Indústria busca alternativas para enfrentar crise hídrica no Nordeste

Representantes industriais que integram colegiados de recursos hídricos se reuniram em João Pessoa para tratar da escassez de água na região. CNI atua para unir setor e propor soluções para reverter o quadro de desabastecimento.
A escassez de água no Nordeste tem levado inúmeras empresas a recorrer a carros pipa, fator que vem encarecendo a produção nos estados da região. O tema foi debatido recentemente por empresários, em João Pessoa, durante o Encontro dos Representantes da Indústria nos Colegiados de Recursos Hídricos, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP). Integrantes dos nove estados nordestinos trocaram informações sobre a situação da água e discutiram alternativas para o enfrentamento da crise hídrica. Na avaliação da CNI, se medidas não forem tomadas com urgência pela esfera pública, o cenário tende a piorar, colocando em risco a competitividade de diversas atividades industriais.

Em novembro de 2012, o nível médio de acumulação de água na região era de 48,9%. Hoje, apenas 20,6% da capacidade dos reservatórios estão sendo usados. As situações mais críticas são a dos reservatórios do Ceará, onde o nível é de somente 14,5% da capacidade de acumular água, de Pernambuco (14,6%) e da Paraíba (16,7%). Os dados foram apresentados pelo coordenador de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Marco Neves, demonstrando quedas expressivas nos níveis dos reservatórios no Nordeste.

Este é o quarto ano consecutivo que a região enfrenta uma severa seca. A avaliação geral do setor industrial é que mais um ano de estiagem causará perdas econômicas e impactos sociais relevantes. Segundo o presidente da FIEP, Francisco Gadelha, os problemas de falta de água passaram a ter mais atenção em 2015 em razão de o estado de São Paulo estar enfrentando uma grave crise hídrica. “O Brasil todo acordou”, disse. Gadelha propôs a integração de bacias como parte da solução para o problema de desabastecimento no Nordeste. Ele alerta que só as obras não solucionarão o problema. “Temos que ter a consciência de que essa água não é só para agora, mas para as futuras gerações. Sempre que abusarmos do uso, faltará água”, frisou.

SOLUÇÕES CONJUNTAS – O gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro, destacou que o objetivo da confederação é unir integrantes da indústria de diferentes bacias para que propostas e soluções sejam construídas em conjunto e encaminhadas para os governos. “Essa interligação vai ser muito útil para reunirmos informações e tomarmos decisões compartilhadas”, afirmou Carneiro. Ele defendeu que a indústria se engaje cada vez mais com o poder público para colaborar com a gestão dos recursos hídricos.

O coordenador da Rede de Recursos Hídricos da Indústria, Percy Soares Neto, acrescentou que a integração, por meio de reuniões e de um sistema online de discussões, dará força política ao setor industrial para propor ações e fazer defesas de interesse com mais efetividade. Também participaram da reunião representantes do Governo da Paraíba e da Prefeitura de João Pessoa.

SAIBA MAIS – Coordenada pela CNI, a Rede de Recursos Hídricos da Indústria é composta por federações de indústrias e associações setoriais. Tem o objetivo de alinhar o posicionamento do setor industrial em relação a políticas de água e promove ações em prol do uso eficiente da água na indústria.

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