Na ONU: Lula defende soberania nacional e diz que o ‘Brasil não cabe no quintal de ninguém’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante a 81ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta terça-feira (22), que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” e criticou a ingerência externa em disputas eleitorais.
Segundo Lula, o país não aceitará intromissões estrangeiras nas eleições de outubro. “Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia — internos e externos — atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém, ninguém nos afastará desse caminho”, declarou.
O presidente destacou que o país terá “um pleito transparente e competitivo, em que todos os candidatos desfrutam da mais ampla liberdade de expressão”. Contudo, reclamou que “alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país”.
“Não subestimamos o desafio das redes de desinformação que pretendem desvirtuar o debate público durante a campanha. Mas possuímos um sistema eleitoral moderno e robusto”, frisou.
Defesa à soberania nacional
Durante sua fala, Lula rejeitou a divisão do mundo em zonas de influência e as investidas neocoloniais sobre a América Latina e afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Lula afirmou que cabe à ONU “se debruçar sobre temas determinantes para o futuro da humanidade”. “Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação. Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos”, disse.
O presidente também aproveitou o espaço internacional para condenar sanções e punições aplicadas a outras nações por motivos políticos. Ele alertou que “a democracia está novamente em xeque”.
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. O povo venezuelano merece definir o seu próprio destino. A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional. Em Cuba, o mundo assiste estupefato à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais”, defendeu.
Reforma do Conselho de Segurança
Em sua fala, o presidente voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que a credibilidade da organização “nunca esteve tão baixa”.
“Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre seu papel”, disse Lula, referindo-se ao órgão formado por China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
O tema da assembleia deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. O evento reúne líderes dos 193 Estados-membros. Ainda nesta manhã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará seu discurso na reunião.
Foto: Mike Segar/Reuters
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