Presidente do Stiupb fica satisfeito em saber que Venezuelanos acolhidos por ele em 2020 agora recebem assistência da prefeitura
Embora faça questão de não querer voltar ao tema do seu trabalho humanitário feito em fevereiro de 2020, por entender que ajudar o próximo é algo particular e que não necessita de publicidade, o presidente do Sindicato dos Urbanitários da Paraíba (Stiupb), Wilton Maia Velez, se mostrou muito feliz quando soube pela imprensa nesta segunda-feira, 14, que os venezuelanos que ele acolheu naquele ano de 2020, jogados nas ruas campinenses, sujos e com fome, estão matriculados e assistindo aulas através da Prefeitura de Campina Grande.
São integrantes da etnia warao. A turma é formada por (3 idosos, 2 adultos e 1 adolescente).
As aulas que serão realizadas no período de seis meses, inicialmente com ênfase no letramento e após esse período, no ensino regular do EJA, ocorrerão sempre às segundas, terças, quintas e sextas-feiras, com três horas de duração, das 17h30 às 20h30. Nesta primeira semana, em virtude da morte de um parente dos waraos, que ocorreu na terça, 08, a aula foi suspensa. Nos demais dias, elas ocorreram normalmente.


Aos poucos, os alunos estão se familiarizando, gostando das descobertas, principalmente de escrever no caderno e no quadro o próprio nome, sob a supervisão da professora. Um deles, é Valdelado Perez, conhecido na comunidade como Faru, “aprendi a escrever devagarinho o meu próprio nome. Gosto das aulas, da professora, quero muito aprender a ler e escrever”, contou entusiasmado, o venezuelano.
RELEMBRANDO
Exatamente no dia 13 fevereiro de 2020, incomodado com o drama dos venezuelanos jogados à própria sorte nas ruas de Campina Grande, discriminados por uma parte da sociedade que os taxavam de bandidos, Wilton Maia decidiu agir e, com apoio da sua diretoria do Stiupb, se deslocou ao local onde estava o povo da etnia warao em total precariedade, no Terminal Rodoviário Argemiro de Figueiredo, no bairro do Catolé, colocou todos num carro e os levou para a sede da entidade.
Os venezuelanos receberam, além do carinho e atenção, alimentação e um local para o abrigo diário e sua higienização.
No mesmo dia, Wilton Maia comunicou às autoridades municipais da decisão em acolher esses irmãos: “Não suportava, ver aquelas pessoas, num total de 12 (três famílias, incluindo uma grávida e crianças), esperando a assistência que não vinha e a desconfiança de alguns tantos”, destacou o presidente do Stiupb.
Após o acolhimento feito por Wilton Maia, outras entidades se juntaram ao Stiupb e passaram a apoiar os venezuelanos, a exemplo da Prefeitura, Cáritas do Brasil (Regional Nordeste), MPF, entre outros.
Importante destacar que a iniciativa de ajudar o próximo, contou ainda com o apoio das Advogadas: Dra.Ligia Macedo e da Dra. Jéssika Saraiva e de Osvaldo Bernardo.
Na Venezuela, País que vive grave crise política, essas pessoas viviam da pesca e tiveram suas casas e aldeias invadidas, sendo saqueados e sua única alternativa foi se refugiar no Brasil.
“Ao contrário do que maldosamente propagaram em redes sociais, esses venezuelanos são amistosos, pessoas do bem, com crianças e adultos de um coração do tamanho da alegria da vida. Aceitaram sem problema nenhum nossa ajuda e querem apenas sobreviver, um direito sagrado de todo ser humano”, afirmou Wilton Maia, que tem três filhos e compreende muito bem o quanto é difícil batalhar pela vida para oferecer dias melhores para seus dependentes.
Wilton disse neste dia 14 de março de 2022 que faria tudo de novo: “Não me arrependo do que fiz. Somos todos irmãos, independentemente de onde viemos e somos”.
Texto e fotos: Stiupb com PMCG



