Recordações juninas, por Josemberg Lima

Junho marca no calendário datas festivas dos santos juninos, a religiosidade, cultura, entretenimento e celebrações que cultivam fartura das colheitas, com agradecimentos a São José.
Famílias reunidas em suas casas na zona urbana, com adornos temáticos, com culinária regional presente. Os pavilhões nas diversas cidades aquecem o turismo com atrações que representam a nordestinidade.
Na zona rural as bandeirolas, fogueiras, quentões, churrascos, galinhas capoeira, o tradicional ´master cuscuz´, que coroa o evento.
O clima frio da época atrai peças de couro, botas e chapéus, jaquetas ao xadrez e estampadas enchem os olhos de beleza com o colorido geral.
As rodas de conversas, lembranças, recordações, as brincadeiras de época, simpatias juninas dos santos casamenteiros e até apelações ao santo das causas impossíveis também são acontecimentos dessa época.
O São João da rainha da Borborema transita nos quadrilhões das Ruas Maciel Pinheiro, João Pessoa, 7 de Setembro, transita no Parque do Açude Novo e Palhoção do Parque do Povo.
O Milharildo ´boneco símbolo´ idealizado pela professora Lenira Rita, publicado pelo radialista Eraldo César, o desfile da corte junina e pavilhões da professora Thereza Madalena.
Mesmo sem a dimensão midiática da atualidade Campina Grande, na época, se transformava num imenso arraial.
Até mesmo o então presidente João Figueiredo, a convite do governo estadual e prefeitura municipal, gestão Enivaldo Ribeiro, esteve em Campina Grande para assinar convênios do Ministério das Minas e Energia e projetos Cura I, II e III.
Esse foi um período de desapropriação de casas, terrenos e indenizações. A cidade apresentava-se como de porte médio, após abertura de avenidas e várias construções habitacionais. A mão de obra, emprego e renda aqueciam a economia da capital do trabalho.
A participação de Campina Grande na TVS (canal de Sílvio Santos – leia SBT) a tornou muito conhecida e destacada nacionalmente por suas universidades, desenvolvimento dos pólos tecnológicos e atrativos culturais.
Outros pontos locais se tornaram mais conhecidos e atraiam cada vez mais pessoas, a exemplo do Quadrilhão da Ceasa, Forró do Entra e Sai, do Campinense Clube, Clube Campestre, Forró dos Caçadores, AABB, GRESSE e Aliança Clube 31.
Vários artistas e grupos musicais a exemplo dos 3 do Nordeste, Genival Lacerda, Trio Nordestino, Marinês, Abdias, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Eliane, Alcimar Monteiro, Jorge de Altinho, Sivuca, Antonio Barros e Cecéu, entre outros, lotavam os shows com seus sucessos na época.
A categoria mais popular costumava freqüentar outros locais, não menos animados, tais como a feira central, o Clube Paulistano, Clube Ypiranga, Clube Flamengo, entre outros que também atraiam um bom público para seus salões de festas.
Em quase todos os locais que havia arrasta-pé e animação não podia faltar o tradicional bolo de milho, tapioca, manguzá, pé-de-moleque e cocada. Era o combustível predileto da rapaziada.
A vizinha cidade de Caruaru (em Pernambuco) também era lembrada pelas músicas, livretos e literatura de cordel, sendo apontada como a capital do forró e berço da cultura regional. Mas Campina Grande já pavimentava sua trajetória rumo ao apogeu, com destino ao Maior São João do Mundo.
Nessa época as grandes atrações eram a banda de pífano, os trios de forró, a orquestra sanfônica, entre outras, que se apresentavam representando a cultura, exibindo números musicais dos ícones nordestinos, tais como Sivuca, Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro e Antonio Barros e Cecéu.
Antes do início do mês de junho havia festas juninas e também inscrições para concurso da corte junina, eleição da Rainha do Maior São João do Mundo, Rainha da Primavera e Garota Campina Grande.
Um dos locais que foi durante décadas o cenário desse certame de disputa de beleza foi o Clube dos Caçadores, localizado na BR 230, próximo ao Fisco Estadual e a sede da Polícia Federal. Posteriormente o concurso passou a ser realizado no Spazzio, e em seguida no Parque do Povo, onde acontece até hoje.
Vários artistas e profissionais da imprensa apresentavam nas emissoras de rádio locais programas de forró, sempre com grande audiência. Nomes como Antonio Barros e Cecéu, Joacir Oliveira (o popular Cabeção, in memorian) entre outros, eram apresentadores que se destacavam na época, sempre com grandes índices de audiência local e em cidades vizinhas.
Eles contribuíram muito para o sucesso da festa e divulgação da cidade, a exemplo do que também fizeram artistas como Geovane Júnior, Genival Lacerda, Amazan, Dedé da Mulatinha, entre outros, que se apresentavam em praça pública para o público local e turistas, participavam de arraiais juninos e sempre cantavam por amor à cultura e muitas vezes sem cachê.
A galeria de fotos a seguir representa e mostra um pouco de alguns momentos registrados de como foram os arraiais da Rua Campos Sales, Pisa na Fulô, Arraial Felicidade, Professora Lenira Rita, Arraial da Câmara, Márcio Melo, Balanço da Casemiro, Forró da Prata, Arraial do Gordo Rômulo Gouveia, Família Araújo, Parque do Povo, Rádio Borborema, Rádio Cidade Esperança AM, Camarote Junino, TV Master, TV Correio, TV Globo e Programa do Faustão, entre outros.






















Por Josemberg Lima
Jornalista



