Trump se torna um dos presidentes mais impopulares da história dos EUA, com aprovação de apenas 36%

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permanece em um dos patamares mais baixos de popularidade de sua trajetória política, com aprovação de apenas 36%, segundo pesquisa Reuters/Ipsos concluída nesta segunda-feira, 15 de junho. O levantamento aponta uma leve alta de um ponto percentual nos últimos dias, mas confirma que a maioria dos estadunidenses continua desaprovando sua gestão, especialmente no tema que mais pesa sobre o cotidiano da população: o custo de vida.
De acordo com a Reuters, a pesquisa foi realizada ao longo de quatro dias e ouviu 1.537 adultos em todo o país, com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. Parte das entrevistas ocorreu antes e parte depois do anúncio feito por Trump no domingo, quando o presidente afirmou que ele e líderes iranianos haviam chegado a um acordo para encerrar a guerra entre os dois países, conflito que vinha pressionando fortemente os preços da gasolina.
Custo de vida segue como principal vulnerabilidade
Embora a aprovação geral de Trump tenha subido marginalmente para 36%, sua avaliação no enfrentamento do custo de vida continua extremamente baixa. Apenas 24% dos estadunidenses aprovam a forma como o presidente lida com os preços, um avanço discreto em relação aos 22% registrados uma semana antes e aos 20% de um mês atrás.
A desaprovação nessa área caiu de 73% para 69% no intervalo de um mês, mas ainda indica um quadro de forte desgaste. A inflação persistente, os preços elevados e a pressão sobre o orçamento das famílias continuam minando a promessa central feita por Trump ao iniciar seu segundo mandato, em janeiro de 2025: controlar a alta do custo de vida.
Segundo a Reuters, Trump começou seu segundo mandato com 47% de aprovação, 11 pontos acima do índice atual. A deterioração revela que a expectativa criada durante a campanha presidencial anterior, quando prometeu enfrentar a inflação de forma rápida, não se concretizou até agora.
Gasolina cai, mas segue mais cara que antes da guerra com o Irã
A pesquisa foi realizada em um momento de expectativa em torno das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. O otimismo com a possibilidade de encerramento do conflito ajudou a reduzir os preços da gasolina nas últimas semanas.
Ainda assim, os estadunidenses continuam pagando cerca de um dólar a mais por galão do que pagavam antes de Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã em 28 de fevereiro. O alívio recente, portanto, não foi suficiente para reverter a percepção negativa da população sobre o impacto econômico da política externa e energética do governo Trump.
O dado é politicamente sensível porque o preço dos combustíveis costuma ter forte influência sobre a avaliação presidencial nos Estados Unidos. A gasolina mais cara funciona como um indicador cotidiano de perda de poder de compra e pode reforçar a insatisfação com a condução econômica do governo.
Popularidade baixa atinge até bases tradicionais de Trump
A Reuters destaca que ainda não está claro se a leve melhora na avaliação de Trump representa uma mudança real de tendência ou apenas uma oscilação pontual. A popularidade do presidente sofreu desgaste até mesmo entre grupos historicamente importantes para sua base política, como eleitores rurais e cristãos evangélicos.
Esse dado é relevante porque Trump depende desses segmentos para manter a coesão do Partido Republicano e sustentar sua força eleitoral. A queda de apoio entre grupos centrais de sua coalizão indica que a insatisfação econômica pode estar ultrapassando as divisões partidárias tradicionais.
Mesmo com a leve melhora no índice geral, a aprovação de Trump permanece próxima dos menores níveis de sua carreira política. No tema do custo de vida, a percepção dos estadunidenses sobre sua gestão é ainda mais negativa do que a avaliação feita sobre Joe Biden, seu antecessor democrata, no mesmo assunto.
Democratas aparecem à frente nas eleições legislativas
O levantamento também aponta sinais de alerta para os republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Entre os eleitores registrados, 41% disseram que votariam em um candidato democrata em seu distrito caso as eleições para o Congresso fossem realizadas hoje. Outros 38% afirmaram que votariam em um republicano.
A vantagem democrata é estreita, mas politicamente significativa em um cenário no qual os republicanos defendem maiorias apertadas no Congresso. Outros 18% dos entrevistados disseram estar indecisos ou considerar votar em uma terceira força política.
Entre os eleitores independentes, grupo que pode ser decisivo em várias disputas, a vantagem democrata é mais expressiva: 35% disseram preferir candidatos democratas, contra 22% que apoiariam republicanos. A diferença de 13 pontos nesse segmento reforça o risco de desgaste do trumpismo nas urnas.
Inflação pode pesar contra aliados republicanos
A insatisfação com os preços tende a ser um dos principais temas da campanha legislativa. Embora Trump tenha tentado associar sua imagem à promessa de estabilidade econômica, os dados indicam que a maioria da população ainda não percebe melhora concreta no custo de vida.
Um relatório recente de inflação nos Estados Unidos mostrou que o problema ainda persiste, contrariando a promessa do presidente de controlar rapidamente a alta dos preços. Esse cenário pode atingir diretamente os aliados republicanos de Trump, especialmente em distritos competitivos.
Com apenas 36% de aprovação, Trump chega à metade de 2026 em situação de fragilidade política. A leve melhora registrada pela Reuters/Ipsos não altera o quadro mais amplo: o presidente continua enfrentando forte rejeição popular, desgaste econômico e risco eleitoral para seu partido.
Um presidente sob pressão
A pesquisa Reuters/Ipsos revela que Trump tenta transformar a trégua com o Irã e a queda recente da gasolina em ativos políticos, mas o impacto ainda é limitado. Para a maioria dos estadunidenses, o custo de vida permanece alto, e a gestão presidencial não conseguiu entregar a estabilidade prometida.
O resultado reforça a imagem de Trump como um dos presidentes mais impopulares da história recente dos Estados Unidos, com uma aprovação de apenas 36% e forte desaprovação em temas centrais para a vida cotidiana da população. A menos de cinco meses das eleições de meio de mandato, o cenário acende um alerta para o Partido Republicano e amplia a pressão sobre a Casa Branca.
Brasil 247



