Brasil e mais 21 países condenam ataque dos EUA à Venezuela em reunião da ONU. Argentina apoia

O Conselho de Segurança da ONU fez uma reunião de emergência nesta segunda-feira (5). O Brasil e outros 21 países condenaram o ataque americano à Venezuela. A Argentina e Trinidad e Tobago defenderam a operação. Os Estados Unidos disseram que aplicaram a lei.
Colômbia e Venezuela pediram a reunião. China e Rússia apoiaram. 29 países participaram. 15 são membros do conselho, entre permanentes e rotativos. Outros 14 estiveram presentes, incluindo o Brasil.
Na abertura, a subsecretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, cobrou respeito às leis internacionais, incluindo à Carta da ONU, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
Representantes de 27 países também discursaram, três a favor da operação. Além dos Estados Unidos, Argentina e Trinidá e Tobago, 24 criticaram abertamente a ofensiva ou se alinharam a favor da Carta das Nações Unidas, que estabelece os princípios fundamentais da entidade. Entre eles, aliados históricos dos americanos, como a França. E também adversários de Washington, como China e Rússia.
O embaixador da Argentina disse que valoriza a determinação do governo americano de capturar o ditador venezuelano Nicolás Maduro. Que o passo representa um avanço decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e abre uma etapa que permite ao povo venezuelano recuperar a democracia.
O embaixador americano Mike Waltz disse que não é uma ocupação e não existe guerra conta a Venezuela ou seu povo. Que se trata de uma operação policial cirúrgica, com apoio de militares.
Waltz afirmou: “Não estamos ocupando um país. Essa foi uma operação para aplicar a lei em cumprimento a acusações legais que existem há décadas. Os Estados Unidos prenderam um traficante de drogas que agora será julgado pelos crimes que cometeu contra nosso povo durante 15 anos.”
Na resposta, o embaixador da Venezuela, Samuel Moncada, classificou a prisão de Maduro de sequestro. E chamou a operação americana de “ataque ilegítimo sem qualquer justificativa legal”. Afirmou que os motivos foram a posição estratégica do país, além das riquezas naturais da Venezuela, como petróleo e energia.
Segundo Moncada, aceitar essa lógica significa abrir a porta para um mundo instável, onde o país com maior poderio militar pode decidir o destino de outros estados.
“Não é apenas a soberania da Venezuela que está em jogo, mas sim a credibilidade da lei internacional e a autoridade desta organização”, disse ele.
Outros países da América Latina, como Panamá, Colômbia, Chile, México, Paraguai, Cuba e Nicarágua também pediram respeito às soberanias nacionais.
O embaixador Sérgio Danese também discursou. Disse que o Brasil rechaça a intervenção americana, e afirmou que a ação é uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas e do direito internacional.
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável. Esses atos constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional. Aceitar ações dessa natureza levaria inevitavelmente a um cenário marcado pela violência, pela desordem e pela erosão do multilateralismo, em detrimento do direito e das instituições internacionais.”
Sandra Coutinho trouxe na noite desta segunda-feira (5) informações sobre uma reunião de integrantes do governo Trump com parlamentares americanos.
Na reunião, somente autoridades que supervisionaram a operação na Venezuela, como o Secretário de Guerra, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o Secretário de Estado. Antes do encontro, o líder da oposição na Câmara, o democrata Hakeem Jeffries, disse que cobraria explicações sobre como os Estados Unidos pretendem administrar a Venezuela daqui pra frente.
Nesta segunda-feira (5), em entrevista à teve NBC, Trump reforçou que não está em guerra com a Venezuela, mas que pode lançar uma segunda operação militar, caso a presidente interina pare de cooperar com os Estados Unidos. Trump também descartou novas eleições na Venezuela dentro de 30 dias.
Foto: Reprodução/TV Globo
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