Evento no IFPB de Esperança discute “Educação do Campo, das Águas e das Florestas”

Aconteceu, na manhã deste sábado, 28, no Instituto Federal de Educação da Paraíba (IFPB), Campus Esperança, o segundo encontro de “Educação do Campo, das Águas e das Florestas”. O evento contou com a participação de professores da instituição, representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da pequena propriedade, representante da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do professor, indigenista e ativista social João Tavares da Silva Neto.
O professor Tavares Neto falou em sua palestra dos desafios que são enfrentados diariamente pelos indígenas paraibanos, tanto os que habitam o litoral norte quanto os que vivem no litoral sul do Estado. O indigenista mencionou que os conflitos vêm se intensificando, devido o interesse pelas terras das aldeias indígenas, manifestado por lóbis da especulação imobiliária e pelo agronegócio, o militante lembrou ainda que o próximo mês de abril será de lutas em defesa dos espaços desses povos originários, que preservam e cuidam do meio ambiente. E que já neste Domingo o povo Tabajara liderado pelo Cacique Carlos Arapuã da Aldeia Gramame, lacrará, num primeiro momento, a entrada de transportes motorizados (motos, triciclos, quadriciclos, 4 x 4 e similares) para não mais percorrerem as areias daquelas praias que para os membros da etnia é maternidade e berçário naturais das muitas vidas, incluindo as tartarugas que ali se aninham para desovas.


Paulo Romário, Coordenador Nacional do MST, durante a sua palestra, enfatizou que as questões climáticas e de degradação ambiental que o mundo enfrenta não acontecem porque você escova o dente e faz a barba com a torneira ligada, como sugere a propaganda midiática, mas, pelo desmatamento e o uso desenfreado de agrotóxicos.


Já o professor do IFPB, Antônio Jesus Souza Melo Neto, coordenador do Pronera (Programa Nacional de Educação para a Reforma Agrária) disse que o evento de hoje tem uma grande importância para a sociedade e para a instituição, pois, ele prima por um projeto de sociedade que prioriza os arranjos produtivos locais e as potencialidades dos verdadeiros moradores da região, Jesus destacou ainda que o encontro visa também impedir a penetração violenta dos que não permitem que essas famílias que historicamente habitam essas terras convivam com a natureza de forma responsável e produzindo alimentos saudáveis.


Em relação às chamadas energias renováveis, Jesus comentou que há no memento dois projetos em curso, um em que grandes empresas buscam só a expropriação das terras de comunidades residentes em várias partes da Paraíba, sendo dessa forma nocivo ao meio, visto que, já se há registros, inclusive de adoecimentos mentais; e outro que o IFPB está engajado, fazendo a escuta dessas comunidades, perguntando as pessoas como elas querem a implantação dessa energia.
“Dentro dessas escutas da população, o IFPB vem dando seu contributo à população com seus pesquisadores, é o caso do professor Bruno Araújo, que desenvolveu um tipo de fogão ecológico que usa o mínimo de biomassa e não produze fumaça, evitando, portanto, problemas respiratórios e o professor Arlindo Garcia que substitui as gigantes torres eólicas por micro aerogeradores locais cujo papel é abastecer as residências rurais e conseguir atender às demandas individuais das comunidades”, concluiu Antônio Jesus.

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