O cargo mais disputado da política paraibana pode não ser o de governador, por Raoni Rodrigues
Quando a campanha eleitoral ganhar as ruas, os holofotes estarão voltados para os candidatos ao Governo da Paraíba. Nos bastidores, porém, a conversa é outra. Hoje, poucas decisões despertam tanta atenção quanto a escolha de quem ocupará a vice-governadoria.
Não é difícil entender por quê. Em uma eleição equilibrada, a vice deixou de ser apenas um gesto de acomodação partidária. Ela passou a representar o peso de cada legenda dentro da aliança, a capacidade de ampliar a presença regional da chapa e, sobretudo, a influência que cada grupo pretende exercer nos próximos anos.
As oposições resolveram essa etapa cedo. Cícero Lucena confirmou Diogo Cunha Lima como companheiro de chapa, unindo duas regiões decisivas para qualquer projeto estadual: João Pessoa e Campina Grande. Efraim Filho escolheu Nayana Pontes, fortalecendo a identidade da candidatura junto ao eleitorado conservador e consolidando o espaço do PL na composição majoritária.
No grupo governista, a equação é mais complexa
O debate sobre a vice passou a reunir interesses legítimos de partidos que caminham juntos, mas que também buscam preservar seu protagonismo político. É nesse ambiente que o PSB defende publicamente a participação na chapa de Lucas Ribeiro. A legenda argumenta que a continuidade do projeto iniciado por João Azevêdo e a avaliação positiva da atual gestão justificam sua presença na composição majoritária. Nesse cenário, a Tenente-Coronel Viviane Vieira colocou seu nome à disposição e passou a integrar naturalmente as discussões.
O Republicanos também tem razões para reivindicar espaço. A legenda consolidou uma ampla presença nos municípios, ampliou sua influência política e ocupa hoje a presidência da Assembleia Legislativa. Seria natural que um partido com esse tamanho buscasse participar da chapa.
Mas há uma conta que não pode ser ignorada
Adriano Galdino e Wilson Filho aparecem entre os nomes mais lembrados nas análises sobre a vice-governadoria. Os dois reúnem experiência, influência e capacidade eleitoral. Ao mesmo tempo, ambos estão entre as principais lideranças do Republicanos na disputa proporcional.
É justamente aí que surge um dilema político. Vale a pena fortalecer a chapa majoritária correndo o risco de enfraquecer a chapa para deputado estadual?Essa pergunta faz sentido porque o desempenho de um partido na eleição proporcional depende, em grande medida, da força de seus candidatos mais competitivos. Uma legenda que pretende continuar entre as maiores bancadas da Assembleia Legislativa dificilmente deixará de avaliar o impacto que uma decisão dessa natureza pode produzir. Não se trata de prever o que acontecerá, mas de reconhecer uma variável que costuma pesar em qualquer planejamento eleitoral.
Outros nomes continuam presentes nas conversas políticas. Eduardo Carneiro permanece entre as alternativas lembradas pela capacidade de diálogo construída dentro da base e pela relação mantida com diferentes lideranças. Embora tenha reafirmado que seu projeto principal seja disputar a reeleição para a Assembleia, seu nome continua aparecendo nas análises sobre a composição da chapa. Também são mencionadas, em diferentes momentos, lideranças como Rafaela Camaraense, refletindo as diversas possibilidades discutidas no campo governista.
Talvez seja esse o principal recado das articulações que antecedem a campanha.A disputa pela vice já não se resume à escolha de uma pessoa. Ela revela como cada partido pretende ocupar espaço dentro da aliança, preservar sua força institucional e chegar mais competitivo ao próximo ciclo político.
Quando o eleitor finalmente estiver diante da urna, verá apenas os nomes que compõem cada chapa. Até lá, porém, uma parte importante da eleição continuará sendo decidida longe dos palanques, nas negociações, nos cálculos e na busca pelo difícil equilíbrio entre interesses partidários e viabilidade eleitoral. Quem compreender esse movimento provavelmente entenderá melhor o resultado da eleição quando as urnas forem abertas.
Por Raoni Rodrigues
Com uma década de experiência na linha de frente da coordenação de campanhas políticas, Raoni Rodrigues, formado em Direito e Gestão de Recursos Humanos, com especialização em Marketing e Comunicação com o Mercado e pós-graduando em Ciência Política e Processo Civil, assina análises sobre os bastidores da política paraibana e a engenharia eleitoral brasileira.



